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quinta-feira, 7 de abril de 2011
Filhos da Violência
Maria Joaquina (nome fictício), 12 anos, chega ao hospital, denunciando um estupro. Constata-se uma gravidez. A família recorre ao Estado alegando que devido a um ato de violência não tem a intenção de manter a gestação. O Estado determina que uma gravidez pode ser interrompida , em caso de estupro , em até 20 semanas caso o feto pese menos de 500 gramas. No caso em questão, a menina não pode recorrer ao aborto, e terá consequentemente, que levar a gestação até o final e encaminhar o filho para a adoção, já que não é do interesse da família criar um filho da violência. E agora? Mais uma criança gerando outra, mais uma criança num lar de adoção, mais uma família destroçada por atos de violência.
Casos como esses, tem se tornado rotina no contexto de nossa sociedade. A justiça não é capaz de reduzir abusos sexuais, e tantos outros que ocorrem diariamente.
Muitas vezes, abusos de ordem sexual acontecem envolvendo atos incestuosos, pais e filhos, primos, irmãos, e são ainda muito mais difíceis de serem denunciados, reprimidos, ou penalizados, devido a vergonha de se denunciar.
O que talvez nos chame atenção,são que as conseqüências desses abusos, ultrapassam os limites das lesões físicas, deixam marcas irreversíveis de natureza psicológica, cicatrizes profundas que serão levadas com certeza pela vítima, durante toda a sua vida. Reflexos que atingem a autoestima, relacionamento interpessoal, dentre outros.
As crianças geradas por atos como esses, também se tornam vítimas diretas, sendo destinadas a viverem rejeitadas em abrigos, e instituições.
Como resolver esse problema que assola nossa sociedade atual? Será intensificando os meios de punição a tais atos? Creio que uma efetiva intervenção da justiça, seja uma medida que ajudaria a contornar um pouco essa problemática, porém o que realmente considero eficaz, sejam medidas de ordem educacionais, programas de ajuda a pessoas que sofrem de distúrbios de ordem sexual, tratamentos gratuitos, controle maior por parte do Estado e medidas preventivas de reeducação. A propaganda gerada em torno da atividade sexual é muito grande. A mídia, seja televisiva, virtual, contribui para essa “sexo mania” que vivemos. Muitas vezes os próprios pais, sem intenção, sexualizam seus filhos cedo, as vezes na maneira que os vestem, ou incitam a movimentos corporais erotizados em danças apelativas, daí a necessidade de se educar para informar e prevenir atos de violência sexual.
Priscila Canêdo
terça-feira, 15 de março de 2011
Ás Margens de uma Sociedade Perfeita
Dia 25 de dezembro, é Natal outra vez. O ano já não interessa. Não vejo graça em comemorar essas festas. Na favela, as coisas nunca mudam. O morro continua chorando sangue, as famílias acuadas pelos donos da favela. A música que toca, não é noite feliz, e Deus está muito longe de nós agora.
Os sons dos tiros embalam nossa noite, nossa mesa está vazia, não há panetone, e muito menos peru. No quarto meu pai se droga, tentando fugir dessa rotina de misérias.
O Natal não existe, minha vida, é uma intensa rede de aventuras trágicas, onde tenho que matar para sobreviver, vender o pão de hoje, para comer o de amanhã. Enquanto todos comemoram fingindo estar em um mundo à parte, longe de todos os problemas que temos que enfrentar, apenas nós. Suas filhas e irmãs se arrumam em salões de beleza, e minha irmã vende seu corpo em troco de poucos trocados para conseguir comida, pois precisa se sustentar e ao seu filho. Os enfeites de natal em meu barraco, não passam de buracos feitos por balas perdidas. Meu filho, não ganhará presentes e muito menos eu. Nosso presente é sobreviver mais um dia deste ano.
Não iremos nos reunir, porque sempre há uma discussão quando estamos juntos. Passarei a noite entregando drogas e apagando aqueles que tem que ser eliminados. Vou levando a vida até a hora que ela resolver me levar.
Se eu pudesse acabar com isso tudo, o faria, mais não tenho coragem de tirar a única coisa que tenho, a vida. Hoje é um dia como todos os outros. Para mim, e todos os que moram aqui. Os presentes que queremos não se compram, não se vendem, são como itens que já vem dentro de cada um de nós, e que vocês também não os tem, se chama dignidade, se chama amor ao próximo, compaixão, solidariedade.
Fecharei meus olhos, mais não dormirei, porque minha consciência não permite. Ter que matar, roubar, ver minha família se vender por um prato de comida em cima da mesa, ou por um canto para se abrigar.
Não sei o que é o Natal, não vivi essa data no seu verdadeiro significado. Você já viveu o Natal? Já estendeu a mão para um desconhecido? Eu acho que não. Se não o que eu estaria fazendo aqui no fundo do poço?
terça-feira, 8 de março de 2011
Sensações
Te sinto por perto
Um olhar, um sorriso, um beijo
Traz de volta sensações de um intenso desejo
Um toque, um doce afago,
O roçar leve, suave de seus lábios
Um desejo desperto,intenso roubado
Do aroma que exala do seu hálito
Suas mãos entre os meus cabelos
Eu entregue, a mercê de seus anseios.
Coração dispara.
Seu olhar me congela, me para.
ouço uma música, um silêcio que cala
Em seus braços descubro
O que existe além dos muros
Amor, desejo, paixão
A música vem do seu coração.
Será um sonho?
Um delírio, um divagar?
Não creio!
Despertada agora me conforto em seu peito!
Em seu olhar eu vejo
O meu reflexo como num espelho
O seu sorriso me mostra
A verdadeira resposta
Nem sonho, nem imaginação
As batidas de seu coração
Revalam um amor que se fez
Eternizado para sempre, talvez!
quarta-feira, 2 de março de 2011
E se.....

E Se.....
E se um dia eu olhar para trás e perceber que vivi uma vida em vão?
E se um dia eu perceber que desperdicei muitos anos da minha vida com alguém que nunca me amou?
E se um dia eu acordar e descobrir que meus sonhos de hoje são possíveis pesadelos de amanhã?
E se um dia ao invés de ter um sorriso nos lábios, terei lágrimas nos olhos?
E se um dia você perceber que estive sempre ao seu alcance,ao seu lado, mas nunca em seus olhos?
E se um dia eu perceber que nada valeu a pena, porque tranquei meu coração no momento em que vc se foi?
E se o sol brilhar e com ele vir boas novas?
E se alguém me estender a mão e me trazer de volta a vida?
E se a chama do amor reascender em meu peito com o brilho do seu olhar?
E se Deus enviar um anjo e apor fim na minha finita escuridão?
E se eu morrer plenamente feliz por ter vivido, amado, sofrido, lutado, mas nunca desistido de ser feliz?
Assim eu quero me lembrar da minha vida, da minha jornada eterna em busca da felicidade.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Amor de Chuva

Um vazio encheu minha alma
Um silêncio gritou
Um doce sentimento de dor ecoou
Lembrou você
Lembrou nós dois
Lembrou a chuva e o dia em que começou
E o sol queimou
Queimou você
E o nosso noturno amor se desfez
A lembrança agora eternecida
pela triste melancolia
Que assola uma vida vazia
põe um ponto final em nossa melodia
Agora a chuva reaviva
Dentro de mim a sua partida
As lágrimas me diz enfim
Que o amor que vivemos
Nunca terá um fim.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sangue na Lua

Um clarão invade a janela
Olho lá fora e busco por ela
Envolta por um manto vermelho
A lua reflete minha imagem como um espelho
A noite se desfaz em gotas de sangue
inundando a minha alma, dilacerante.
A dor da ausência agora maltrata
A solidão de uma vida, ingrata
A lua ainda reflete a imagem
com o passar do tempo se faz desfigurada
Duas vidas e só um destino
O sangue da lua percorre o caminho
Sozinho traço a minha trajetória
O sangue dela agora se faz presente
Nos dias vazios de minha memória
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Desejo

Por horas a fios
Entre desejos, pensamentos,martírios
Entrego-me a ilusão de poder tocar-te
Um leve, doce afago, um gracejo
Por entre sonhos vagueio
Na ânsia de satisfazer meu desejo
A espera da sua chegada
Inesperada excitação desordenada
Desperta em mim lasciva amante
entre gemidos e prazer lacerante
Entrego-me a ti a todo instante
Mergulho num universo de sensações
palavras, gestos, expressões
Desperto inebriada,de seus anseios,tentações!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Recordações

Recordações
Uma lágrima de saudade
percorre o meu rosto
Divaga sobre minha pele
Recorda nosso amor que
um dia se foi
Caminha em direção
ao meu peito buscando
meu coração e lá permanece
Adormecida na eterna lembrança
Recorda nosso amor que
um dia se foi
Olhando para o céu
busco os olhos seus
Encontro apenas nuvens
Trazendo a lembrança
Recorda nosso amor que
um dia se foi
Quando sonho contigo
Uma sensação de paz
preenche meu ser
acordo feliz
pensando em você
Lembrando de nós
Recorda uma vida que
um dia se foi
Hoje é apenas saudades
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Setença de Morte de uma Sociedade Caótica

Sentença de Morte de uma Sociedade Caótica
Na escória da sociedade
Correm por entre becos
Sem nenhuma dignidade
Crianças, jovens sem futuro
Sem destino, sem esperança
Não existe mais nada além do muro
A poeira em seus narizes é branca
O suor que escorre do trabalho vermelho
As lágrimas se disfarçam por meio da ilusão
A morte é certa, é a mistura
Do sangue e do pó, vermelho e branco
É assim dormimos, e assim amamos
Subindo o morro, se compra prazer
Descendo o morro, muitos estão a morrer
NA escola do crime, se aprende na prática
Onde matar ou morrer é a única didática
Um olhar que comove
Mais um dia se morre
O frio congela os sonhos
A fome traz consigo o abandono
a cola sela o estômago
A infância é perdida
nas esquinas da vida
O vício mantido
sustenta uma falsa moral
Nessa farsa egocêntrica
Encontra-se o ser humano ideal
A prisão é coletiva
A culpa é de todos
Na medida que ignoramos
A miséria, a desgraça dos outros.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Coisas de Família

A Descoberta
- Quem diria, minha irmã é uma piriguete!-diz Pedro sem nenhuma cerimônia.
-Cala boca, se não te meto a mão moleque!- o pai indignado berra.
-Ana, como isso foi acontecer? 15 anos grávida de dois meses. O que vai ser dessa criança?- o pai desabafa arriado sobre a poltrona da sala.
- Eu amo o Otávio, vamos nos casar daqui a três meses, vou começar a trabalhar e ele também. Vamos construir nossa casa ao lado dos pais dele, e tudo vai se acertar!
- Claro é tudo muito simples, né? Você não tem noção do que esta prestes a fazer da sua vida, minha filha! Vai ter que largar os estudos e se dedicar a esse filho, conciliar o trabalho doméstico com o emprego que terão que arrumar. Meu deus! Vocês são muito irresponsáveis, agora é tudo muito fácil, mais quando a criança nascer, terão que pular essa etapa que estão vivendo e cair de cabeça no mundo problemático dos adultos!- a mãe transtornada e com a certeza de que a vida que sonhara para sua filha nunca mais seria a mesma.
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O Noivado
-Faço questão de dar a festa!- O pai de Ana se antecipa a todos os presentes na casa. Os pais de Otávio se encaram em silêncio. A mãe de Ana, ainda estarrecida com o destino da filha se abstém de qualquer comentário.
- Mais Pai, já decidimos que vamos comemorar só nós dois mesmos, até por questão de economia. É uma besteira isso e imagine só os comentários da família toda! – disse Ana
-Devia ter pensando nos comentários da família antes de ir se deitando com qualquer zé mané por aí, né maninha?- exclama Pedro, sarcástico como sempre.
-Aí eu ainda mato esse moleque filho da pu...! –Ana aos berros corre pra cima de Pedro.
-Cuidado Ana, não esqueça que você está grávida minha querida!- diz Maria, mãe de Otávio.
- Já está resolvido, darei a festa sim, é uma questão de honra, você é minha única filha não deixarei passar nada em branco, e ponto final!- o pai em postura autoritária, saí da sala.
- Isso ainda vai longe...!- a mãe de Ana senta no sofá, com as mãos sobre a cabeça.
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O Casamento
-Mãe, não vou me casar com ele!- em prantos e toda descomposta, Ana atira longe o buquê de rosas vermelhas. O vestido branco com longo véu não é capaz de esconder a gravidez de cinco meses.
- Minha filha, qual o porquê disso agora?- a mãe sem entender muito que se passa pela cabeça da filha, tenta aconselhá-la à melhor decisão.
-É o Otávio, ele me traiu com a Susana, minha melhor amiga, e tudo por culpa dessa criança que me deixou gorda e cheia de estrias! Mãe ele é um desgraçado!
- Calma minha filha, essa linda menina que vai nascer não tem culpa de nada, se alguém tem culpa disso tudo são vocês mesmo, que não pensaram nas conseqüências de seus atos!
- Ótimo mãe, tudo o que eu preciso agora é um sermão da senhora!- e sem muito pensar saí correndo do quarto, sem se quer lembrar que vestia seu longo vestido, tropeça na cauda e caí bruscamente sobre a barriga já acentuada, pelos meses de gravidez.
Quando acorda, estranha o fato de todos os seus familiares estarem a sua volta.
- O que aconteceu?- pergunta Ana sem entender nada.
-Minha filha, sinto muito, mais com a violência da sua queda, você acabou perdendo o bebê!- o pai com lágrimas não conseguiu se conter.
-Cadê o Otávio? –Ana ainda olhando em volta para saber sobre o pai de sua filha.
-Não pergunte por esse desgraçado! – a mãe não aguenta e acaba soltando sem pensar.
-Veja lá como fala do meu filho Marta!- exclama José pai de Otávio.
- Mais é isso mesmo que ele é, primeiro engravida minha filha, depois a traiu e para piorar a situação ainda foge no dia do casamento com uma vagabunda qualquer que se dizia ser sua melhor amiga!
-Mãe agora isso pouco importa!- diz quase que num sussurro Ana.
-Como assim Ana, pouco importa, e você como fica agora, sem marido e ainda, sem o bebê que já era parte de nós. – diz o pai de Ana.
-Tenho que dizer uma coisa muito importante que omiti durante todo esse tempo. O filho que eu esperava não era de Otávio, e sim do Marcos, o melhor amigo de Otávio!- Ana começa a chorar descontroladamente.
- Ana como pôde nos esconder isso?- a mãe quase sem palavras não sabia como contornar aquela situação.
-Viu, eu estava certo o tempo todo! Ela é e sempre foi uma piriguete! – agora Pedro ria da situação em que a irmã colocou seus pais.
-Cala boca Pedro! – todos exclamaram a uma só voz.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Janelas Interiores

Ela se calou por uma eternidade.
A música que tocava a fazia pensar sobre as coisas que aconteceram e analisar suas atitudes.
Pensava que toda liberdade tinha um custo. As vezes cara outra mais barata. Mas sempre haveria algo a se pagar.
Estava pagando! Embora sentisse dor, em alguans momentos, raros, uma nova janela proporcionava a entrada de novos raios de sol. Então se renovava.
Quanto áquela outra, em que estivera presa por séculos, era só chuva. Chuva de suas lágrimas encarceradas.
Conquistar sua liberdade, custou a dor de muitos, principalmente daquele que amava.
Acustomou-se ao cárcere por muito tempo. Sentiu-se cativa do próprio amor.
Agora que se alforriou, segue sozinha, despedaçada. Precisa reconstuir-se.
Antes de tudo precisa esquecer. Deixar no passado o que mais lhe feriu. O descaso de seu afeto, o comodismo de dias iguais. O sol havia se estinguido, só o frio e escuridão, estavam
presentes.
Agora via no não, a possibilidade de reiventar-se. Disse com todas as letras a palavra! Essa por sua vez, ressoou no ouvido daquele que a amava.
Ainda assim foi capaz de chorar por ele, quando se virava de costas, e caminhava para o nunca mais.
Respirava mais aliviada com o passar do tempo, as feridas aos poucos cicatrizariam. Seguia adiante, acostumando-se com a liberdade. Um novo jardim se abria a sua frente, resplandecente com a presença de um novo sol iluminador!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O Reencontro

Caminho em direção ao meu destino. Estou descalça e posso sentir a água gelada sob os pés. O barulho das ondas tranqüiliza a alma.
É noite, o céu está limpo e iluminado pela lua prateada, juntamente com várias estrelas. A brisa toca de forma leve minha pele e meus cabelos. Assento-me na beira da praia vendo ao longe as ondas se formarem e desfazer em espumas num leito de areia.
Fecho os olhos e vejo você, sorrindo como uma criança que descobre o êxtase da vida, por estar em minha companhia. Uma lágrima perdida molha minha face. Sua ausência causa em mim um imenso abismo, separando a plenitude da felicidade, da própria vida, que agora já não tem mais razão de ser. Nossa casa está fazia, cada lembrança sua me faz pensar nos momentos que compartilhamos.
Em minha mente, tinha a idéia de como seria o dia em que deixaríamos esta vida, partiríamos juntos, sempre de mãos dadas, prontos para enfrentar o que viesse em frente. Mais o destino pregou a pior de todos as peças, levou você antes que eu pudesse provar o quanto eu te amava. Estou sozinha agora e não posso continuar mais este caminho.
Por culpa daquele acidente, sua vida foi ceifada de uma forma bruta e injusta, e conseqüentemente a minha também. A cada dia que passa, ainda sinto vivo em mim seu perfume, toque, e até mesmo o aroma, latejante em mim.
Levanto e caminho em direção ao mar. É inútil continuar sem você aqui. A água fria se apodera do meu corpo, cada vez mais submerso. A sensação da vida se esvaindo aos poucos se torna intensa. O ar é cada vez mais rarefeito. Fecho os olhos e vejo você sorrindo como antes, me chamando de braços abertos vindo ao meu encontro.
Vejo uma luz forte, sinto seu toque, ouço uma voz que diz: “Estou aqui meu amor, não tenha medo, agora seremos um só”.
O mar se agita na noite. Ao longe um casal de mãos dadas desaparece em meio à imensidão do oceano.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Noturna

Anjo, cálida singela e abstrata
Pétala negra de rosa despedaçada
Murmuriosa lamenta sua vida passada
De eternas glórias mitificadas
Embriagada por noites solitárias
segue noturna, indecisa, privada
De sentimentos que nutrem uma farsa
Vida vazia, vadia, velada
Noite a dentro segue insone
Alma latente perene sem nome
Dilacera o que sobra ainda que a vida abandone
Na noite guarda seus segredos
Escondido entre nuvens, inúmeros desejos
Atormentada pela ideia de seus mais impuros conceitos.
Amor Onírico

Aos meus olhos tu és perfeição
Aos meus anseios tu és solução
Aos meus toques tu és doce paixão
Aos meus ouvidos leve sonora canção
Aos meus lábios tu és puro desejo
Cura da minha enfermidade por um beijo
Ao meu coração é devassa ilusão
De um dia poder sentir na realidade
O que sinto agora em sonhos,
é apenas uma tenra saudade
De um amor fantasiado
Não menos idealizado
Nem menos sentido
Apenas abstrato
Ainda assim quero vivenciar
experimentar num mundo a parte
a melhor sensação de poder amar-te
Um dia quem sabe
acordar dessa virtualidade
e entregar-me a ti
como um sonho que,
se torna realidade!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Detalhes

Levantou-se.
Era noite, banhou-se demoradamente, sentindo a água escorrendo pelo seu corpo,
o calor fazia sentir-se aninhada naquele ambiente vazio.
Vestiu-se.
Apenas um vestido acetinado vermelho moldava o seu corpo. Os cabelos soltos, molhados
negros e longos, pesavam sobre seus ombros e contrastavam com sua pele alva, quase com um aspecto gélido.
Á luz da lua cheia sombreava sua silhueta pela janela do quarto que se encontrava.
Calmamente e obstinada, dirigiu-se para a beira do terraço do prédio em que residia.
Observava o movimento das pessoas e dos carros ao longo de uma distãncia de mais ou menos uns 10 metros de altura.
Olhando de cima tudo parecia ínfimo diante de seus olhos. Formigas! Era apenas isso. As pessoas e os carros.
Mas o que realmente queria, era sentir a noite em sua plenitude.
Encontrava-se a um passo de dois mundos.
Olhou fixamente para a lua e se jogou do terraço em direção a liberdade.
A velocidade do seu corpo em queda livre fazia sentir-se excitada, a adrenalina percorrendo suas veias,
inundando seu corpo de uma sensação extasiante.
Estava viva,por alguns instantes parecia respirar.
O baque surdo de seus pés ao chão a fez lembrar de pequenos detalhes, como o fato de sair ilesa de tamanha e violenta queda.
Estava morta novamente, presa na sua beleza infinita e amaldiçoada. Imortal, eternamente solitária. a lua era a companheira
noturna de seu despertar.
O que mais desejava para si, era novamente, se tornar humana.e poder descansar enfim, em paz.
A Sombra

Eis que brada
Inóspita e voraz
Um lado Obscuro
Um sentimento fulgáz
A razão á esconde
A espreita da moral
E por entre desejos
Inconscientes, faz mal?
A sombra do homem
Oculta os segredos
Se faz desconhecida
Intrínseca e distinta
Aquele que ousa
Enfim permitir
Libertar sua sombra
Vai em busca de si
Num mergulho sem volta
O abismo profundo,
da alma humana
Esconde segredos
Traduz sua sombra
A luz abandona
E a escuridão toma conta
sábado, 29 de janeiro de 2011
A Rosa
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
LUAS DE SANGUE

A noite caía tênue sobre a cidade. Ela vestia um longo preto que destacava suas curvas sob o tecido. Estava mais linda do que nunca estivera. Seus cabelos negros contrastavam com sua pele alva, seus lábios de um vermelho intenso e seus olhos azuis como duas safiras.
Sua beleza era notada por todos que a viam. Porém todos não sabiam do veneno que possuía em sua alma. Era amaldiçoada nas noites de lua cheia. Naquela cidade, pessoas vinham desaparecendo constantemente, a polícia local pelo menos uma vez por semana encontravas restos e corpos dilacerados dentro e nos arredores da cidade. Já se falavam em um seriall killer, ou até mesmo, os mais supersticiosos em uma besta demoníaca.
O nome dela era Samara Waters, ela tinha aparentemente 25 anos e trabalhava em uma repartição pública. Faltava sempre nos dias após a primeira lua cheia, seus colegas de trabalho nunca compreenderam muito o porquê disso. Samara era uma mulher doce e simpática com todos, despertava nos homens desejos e nas mulheres a inveja. Henrie Glick, era apaixonado por ela, desde que entrou para a repartição.
Naquela noite fatídica, de sexta-feira, a lua escondia por entre nuvens esparsas.
Samara havia acabado de sair de uma festa promovida por Thomas Mears, rico publicitário de Palm’s Street, amigo íntimo de sua família, sempre promovia festas e eventos envolvendo a alta sociedade. Samara caminhava em direção a sua casa, a noite estava misteriosa, porém fresca, não tinha lua aparentemente. Percebeu que estava sendo seguida. Virou-se e deparou-se com uma figura ridícula de um homem de meia idade, altura considerável e cabelos grisalhos, tratava-se de Henrie Glick. Não estava normal, parecia estar alcoolizado. Nesse instante começou a persegui-la proferindo palavras incompreensíveis. Como estava de salto, Samara tropeçou em uma pedra, caiu e rasgou seu vestido. Glick se deliciou com a imagem dela ao chão com as pernas a mostra. Henrie não perdeu tempo prensou seu copo sobre o dela enquanto suas mãos á tocavam de modo asqueroso.Samara sentiu uma onda de nojo tomar conta de seu corpo. O pior ainda estava por vir, quando as nuvens se abriram e deu espaço a enorme lua cheia que despontava no céu azul escuro, iluminando a noite. Para azar de Henrie, Samara começou a se contorcer, seu corpo começou a ganhar uma camada grossa de pelugem negra e a se projetar. Ele se levantou assustado e ficou observando a transformação daquela maravilhosa mulher em algo que ele ainda não sabia muito bem descrever. Samara se transformara em uma espécie de lobo, seus caninos aumentaram de tamanhos e suas mãos se tornaram patas com imensas garras.Glick viu a raiva e o ódio tomar conta daquela criatura. A besta correu e pulou sobre ele, urrando de forma ensurdecedora. Henrie sentia sua pela ser dilacerada pelos dentes e garras daquela abominação. Por um instante, Palm’s Street foi silenciada por um último grito de horror naquela noite.
Samara chegara em casa sentindo o gosto da morte em seus lábios, sabia que aquela sensação nunca acabaria, porém não sentia remorso por Henrie, ele teve o que procurou. E quanto a ela, era condenada a viver eternamente só e como uma nômade sempre procurando novos lugares, aquela cidade se tornara perigosa para ela.
A noite surgia, porém não havia lua. Ao longe se via uma silhueta de uma mulher tão bela quanto o anoitecer, deixando Palm’s Street, e um rastro de sangue para trás. Não era sua culpa, e sim sua maldição.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A ÙltimaChuva

Ela olhava pela janela como se a qualquer momento ele pudesse apontar no portão com um largo sorriso nos lábios. Essa a imagem que sempre vinha a sua mente. Porém o que enxergava era uma rua vazia, uma chuva que por vezes se não fosse pelo vidro, se misturaria com as lágrimas que caíam de sua face.
O perfume ainda exalava de suas lembranças, o toque ainda se fazia sentir-se, sempre que fechava os olhos podia vê-lo.
Sem perceber o que trazia dentro de si, caminhou em direção ao quarto, despiu-se, vestiu a camisa preferida dele, ainda com o cheiro doce de seu amado, tomou um vidro de comprimidos, deitou-se com a certeza de que em breve estariam juntos.
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